na rua quase: grito

quase: felicidade

quase

e era como se narrássemos a própria trajetória escrevendo nos vidros dos
carros cheio de fuligem.

quase: presos
quase: amados
quase: sonhássemos

pretérito mais que perfeito:
quase

queremos mais,
mais do que case
plante uma árvore
escreva um livro.

mais do que um carro que acumule poeira em uma cidade: quase
– “Estou na rua quase gritando de felicidade”

 

 

rés do chão

 

pela manhã

bebês passeiam

babás e cachorros

 

alguns códigos

são quebrados

mesmo antes

de cifrados

 

 

palavras varam

cabeças de ouvidos

quase cegos

 

 

nos muros

cada grafite

é

um

renascimento.

 

correr os olhos pela cidade,

pelo país,

pelo quarto,

num fechar e abrir de olhos:

 

foi um dia de falecimentos.

ao cantar o amor

o poema

se contorce –

– embriagado

uma das mãos

na bebida

outra

naquele nada

que é

não

ter o

controle

dos

próprios

passos.

O

coração

do poeta

É o labirinto

em

que

o

amor

se perde

e,

talvez,

se ache.

Fanfarras, silêncios e uma citação poética.

 

Quando era criança

Saíamos para ver

as fanfarras

desfilarem:

 

Passos marcados.

 

Como dois vira latas

que se cheiram

numa tarde qualquer

na periferia

nos sabemos sós

notando no próprio

silêncio

algo aceitável.

 

A lâmina faz derramar

sem desastre

corrimentos

 

 

Uniformizados

os alunos marchavam

um saber

quase natural.

 

 

aos olhos alheios

todo calar

é consentimento

 

A porta bandeiras

vinha à frente,

meninas davam

estrelinhas

sol a pino

asfalto quente.

 

Aos próprios olhos

todo espelho é trapaça.

 

 

 

Uma citação fora de contexto:

 

“naqueles 83 anos eu li um livro”

 

 

e era eu.